Prece ao Vento Suave da Partida


Hoje, primeiro dia sem a moto. Finalmente conseguir vendê-la. Virar pedestre depois de um ano com uma super moto está sendo difícil, mas a vida revela detalhes do cotidiano de Dili, que já não se percebia na velocidade da moto. Um vento suave que anuncia a partida.

Como todo momento de decisão, parece que a natureza sente que algo vai acontecer, que alguém vai partir dessa terra e não vai voltar. O mesmo vento que balança as folhas das árvores, cria ondas no mar e assanha os cabelos das timorenses, é o vento que tras o findar.

Perceber o vento, desejar que ele te leve para bem longe, onde não haja dor e sofrimento, e chamar a lua para brilhar. O vento que bem pouco tempo atrás percebeu minhas lágrimas contidas de tristeza pela alma humana, que sempre busca a guerra, que acha que com o sofrimento alheio virá a sua glória.

Hoje estou sozinho em casa, muitos também estão. Todos a pensar no passado, como poderia ter sido, alguns buscando uma nova chance de remediação, outros dando glórias por partir. Mas, todos com a alma triste,uma melancolia sem explicação. É o efeito daquilo que ainda nos faz sermos humanos, a nossa consciência. Alguns sentem no vento a cobrança e a impotência, outros o preterimento por daquilo que podiam tanto oferecer e não tiveram a chance. O vento é testemunha.

Ah vento suave te faço uma prece para sobrar a paz e a tolerância... por que é que os corações não são iguais...

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